Capítulo Único
Oi, tum, tum, bate coração, oi tum, coração pode bater, já cantava Elba Ramalho.
Minha mãe sempre dizia que eu tinha imã para homem que não prestava. Se não prestasse, se não valesse nem o que o gato enterra, pode crer que eu namoraria o sujeito.
Um livro sobre a minha vida viria com o título: A Garota Que Colecionava Chifres.
Veio na minha programação lá na fábrica do céu. Me fizeram e colocaram na cláusula do contrato: essa daí só vai se envolver com homem escroto.
E desde então venho cumprindo fielmente o meu papel, dedicadíssima.
O primeiro traste da minha vida foi meu pai, aquele cara que abandonou a minha mãe ainda grávida e só pagou a pensão alimentícia por que a Justiça obrigou. E jurava de pés juntos que duzentos reais eram mais do que suficientes para se sustentar uma criança.
A partir daí, a coleção foi crescendo.
Meu primeiro beijo foi aos 12 anos com um carinha que eu achava fofo, mas que me traiu na mesma festinha escolar beijando a minha ex-melhor amiga.
Agora estou aqui, pleno sábado, num calor de matar, ventilador ligado na potência máxima, comendo chocolate e ganhando espinhas, pensando no quão trouxa fui capaz de ser com o meu ex-noivo e não perceber que toda aquela proximidade dele com a chefe era nada mais do que um caso florescendo. Se dão tão bem que se uniram na galhada com a qual me presentearam. Parabéns pra mim.
Só chocolates são fiéis mesmo.

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