5. Meu aniversário de quinze anos teve bolo de cenoura com calda de chocolate, brigadeiro e em sua maioria, familiares me dando os parabéns, além do pessoal do time de futebol de 5. Todos da minha família ficaram muito impressionados por eu jogar futebol, aliás, eles se impressionavam com qualquer atividade minha, era como se fosse quase que um milagre. Pessoas com deficiência, sejam elas quais forem, podem sim ter vidas saudáveis e o mais próximo que chamam de ‘normal’. Mas o que é normal? É ser o que a sociedade espera de você? É se encaixar em algum tipo de padrão? É ser como todo mundo, todos na fila do gado, em marcha para sei lá onde? Ser como todo mundo deve ser muito chato. - Quinze anos e ganhei um computador com braile. Gostei. – disse, sorrindo. – Obrigado, pai. - De nada, filha. – ele beijou minha cabeça e sei que estava emocionado. Papai se tornou muito emotivo após o acidente e minha mãe chegou a ficar com medo dele entrar em depressão. – Me disseram na loja que ess...
4. Tive que mudar de escola assim que voltei a estudar. Meus pais descobriram que minha escola não tinha o mínimo de suporte para alguém com deficiência visual e nas aulas, ou era tratada como um bebê de colo incapaz de fazer qualquer coisa ou era deixada de lado especialmente nas atividades esportivas. As pessoas simplesmente não sabiam como lidar comigo. Eu completei meus quinze anos em uma escola nova e que sabia como lidar com um deficiente visual sem tratar como se fosse algo de outro planeta. - Até porque você não tem que ficar excluída só por causa da sua deficiência. – minha mãe alegou, me ajudando a amarrar os tênis. Eu conseguia me vestir mas sempre empacava com os tênis. Nunca amarrava direito, sei lá porque. – Não vivem falando de inclusão na TV, nos jornais, na internet? Então. Você pode ser uma boa aluna sim, interagir com os coleguinhas sim e pronto. Nada de ficar em casa. Escola é pra isso, é para aprender. E você não vai conseguir ser uma astronauta se não...