Pular para o conteúdo principal

Apenas Segundos




Capítulo Único

 Elisa acordou e sentiu um braço forte rodeando o seu corpo. Olhou para o lado e viu Ayrton ainda adormecido. Com cuidado, ela se desvencilhou dele e se ergueu. Estava gloriosamente nua e sentia bem com isso. Sorriu para si mesma e caminhou até o banheiro, onde se olhou no espelho. Seu rosto jovem dava os primeiros sinais de que o tempo estava começando a cobrar seu preço. Tinha pavor em ficar velha, gostaria de morrer antes disso. A última coisa que queria era ver rugas e marcas de expressão em seu rosto perfeito. Cuidava-se tanto, mas o tempo era implacável e nem mesmo se envolvendo com homens tão mais jovens como Ayrton ela conseguia reverter isso.

Ayrton a havia pedido em casamento. Elisa ficara surpresa e depois teve que se segurar para não rir. Além da juventude, prezava sua liberdade. Será que ele não percebera que era tudo um jogo? Ela só queria viver o mais intensamente possível. Suas horas estavam sendo contadas em segundos e em breve ela encerraria a partida. Não daria a ninguém o gostinho de vê-la como uma velha caindo aos pedaços. Odiava a velhice, assim como odiava a infância.

Não queria ser mãe, esposa, avó, nada disso. O que para muitos era egoísmo, para ela era sobrevivência.

Queria ser apenas ela e tão somente ela.

 

FIM

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Blink - 5

  5. Meu aniversário de quinze anos teve bolo de cenoura com calda de chocolate, brigadeiro e em sua maioria, familiares me dando os parabéns, além do pessoal do time de futebol de 5. Todos da minha família ficaram muito impressionados por eu jogar futebol, aliás, eles se impressionavam com qualquer atividade minha, era como se fosse quase que um milagre. Pessoas com deficiência, sejam elas quais forem, podem sim ter vidas saudáveis e o mais próximo que chamam de ‘normal’. Mas o que é normal? É ser o que a sociedade espera de você? É se encaixar em algum tipo de padrão? É ser como todo mundo, todos na fila do gado, em marcha para sei lá onde? Ser como todo mundo deve ser muito chato. - Quinze anos e ganhei um computador com braile. Gostei. – disse, sorrindo. – Obrigado, pai. - De nada, filha. – ele beijou minha cabeça e sei que estava emocionado. Papai se tornou muito emotivo após o acidente e minha mãe chegou a ficar com medo dele entrar em depressão. – Me disseram na loja que ess...

Eu.com - 4

  4. Fora só por um minuto. Logo, Karine acordou com dor de cabeça. Não havia ninguém em casa. Era assim que Karine se sentia. Solitária e abandonada. Correu para o banheiro e tentou vomitar em vão. Decidiu tomar um bom banho quente, trocou de roupa e deitou-se na cama. Àquela hora estaria na internet conversando com amigos ou vendo alguma coisa inútil em páginas de redes sociais ao invés de estar estudando. Agora nem estudo ela tinha. Não até o próximo semestre, que era quando voltaria às aulas na nova faculdade. Fora uma sorte conseguir uma vaga. Ficou deitada na cama olhando para o teto até receber uma mensagem de Luísa. Karine havia trocado até o número de seu celular por não aguentar mais tanto assédio, mas informara o novo número para aquela que considerava sua melhor amiga. Mas estava começando a descobrir que amigos não existiam.  Karine hesitou em atender a chamada, mas o fez. ― Oi. – disse secamente. ― Ka, eu sei que você está passando por um grande estresse, mas ten...

Eu.com - 2

  2. Todas as mensagens de ódio recebidas e lidas pelas redes sociais ainda mexiam com ela. Teve que parar de lê-las para não destruir ainda mais o seu emocional. Teve vezes que apenas chorava. ― Vagabunda... – ela falou, mostrando as mensagens para a mãe. – Sou vadia, cadela, prostituta... Eu não sou isso, mãe! – Karine exclamou, desesperada. – A senhora está do meu lado, né? ― Claro que estou, Ka! – a mãe a abraçou. Se pudesse, colocaria Karine numa bolha onde ninguém pudesse machucá-la, mas infelizmente era impossível. – Sua mãe está aqui. É melhor você não ler mais essas coisas... ― É, mas se você não tivesse enviado as fotos pro seu namorado... – Luís disse, apoiado no batente da porta. ― Luís, ela é sua irmã! – repreendeu Dona Branca. ― Por isso mesmo! Não tinha nada que mandar nudes pro cara pela internet! Aliás, nem fora dela! Fiquei com a cara arrastando no chão quando meus amigos me mostraram! Briguei até com eles por sua causa, Karine! Está lá, estampado, naquela maldita...