Detestava carnaval. Preferia ficar em casa deitada na cama vendo filmes ou maratonando séries, mas naquele ano não teve jeito. Ficar sozinha em casa também não queria e todos iriam para a folia de Momo.
Com má vontade, foi. Garantiram que ela iria se divertir.
No meio da gritaria, risos, cantoria, confete e serpentina, pensava que naquele calor a melhor coisa seria um ar condicionado e não ficar pulando no meio da rua naquele calor!
Sua prima lhe deu um empurrão e mandou que ela se animasse.
Revirou os olhos, mas tentou. Talvez estivesse rabugenta.
Essa impressão sobre si mesma passou quando um homem lhe puxou a trança e tentou beijá-la a força. Mas que gente sem educação! Os trogloditas estavam à solta, pensou, irritada.
Deu graças a Deus quando sua tia passou mal e resolveu voltar pra casa. Ela entrou no quarto, ligou o ar condicionado e se sentiu no melhor dos mundos, longe daquela gente. Estava sendo ‘chata’, mas e daí? As pessoas tinham mania de achar que todo brasileiro obrigatoriamente tem que gostar de carnaval. Alguns só querem uns dias de folga do trabalho estafante e paz.
Olhou pela janela e viu a prima chegando no portão com um rapaz. Eles começaram uma discussão do nada e trocaram tapas no rosto. A prima entrou em casa e o homem saiu pela rua xingando, em meio a tanta alegria ao seu redor.
Ela suspirou, aliviada. Passara mais um ano ilesa do carnaval.

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